Parte 1 - O Sábado em seu começo - Criação e Mandamentos
INTRODUÇÃO
Estou usando as Bíblias na versão Revista e Atualizada no Brasil, João Ferreira de Almeida: 2ª. Edição SSB; Vida Nova 13ª. Edição da CPB e a New International Version da IBS.
Há na Bíblia aproximadamente 140 versos que contém a palavra sábado. E o sábado é tão profusamente citado nos primeiro livros da Bíblia, no antigo testamento, quanto nos evangelhos do novo testamento, ora citado pelo próprio Jesus quando aqui esteve.
A primeira citação será encontrada em Gênesis 2:1-3, pois o sábado foi instituido por Deus desde os fundamentos do mundo, na Criação, como memorial da mesma, num mundo perfeito e sem pecado. Foi “reentregue” e relembrado a humanidade nas tábuas dos 10 mandamentos, escritas pelo próprio dedo de Deus tal a importância destes mandamentos e citado pelo próprio Deus também, e por duas vezes, como está no capítulo 20 de Êxodo e mais precisamente no capítulo 30, verso 18, do mesmo livro; pois a humanidade, depois do pecado, já havia se esquecido da importância do sábado.
Portanto na imutável lei de Deus, a qual Jesus não mudou (Mateus 5: 17-19) quando aqui esteve, requer a observância do sábado, do sétimo dia, como dia de descanso, adoração e prática da religião e ensino que também foi prática de nosso Senhor Jesus Cristo – o Senhor do sábado, conforme Marcos 2:28.
No contexto da história da humanidade não houve mudança significativa no calendário, tanto na forma como o temos hoje e nem mesmo na forma anteriormente adotada provinda do antigo oriente médio, que altere o sétimo dia para uma “outra posição” no calendário até então. O Sétimo dia foi e sempre será o sábado, como o conhecemos ainda hoje. Outro dado histórico interessante, a este respeito, é que em mais de 140 línguas, de diferentes bases linguísticas, a palavra sábado é praticamente a mesma, tanto da forma escrita como em sua fonética e significa, sempre, o sétimo dia.
O sábado, como veremos, é um memorial da Criação, uma adoração de reconhecimento e gratidão ao Criador, um símbolo de nossa redenção, uma salvaguarda da saúde mental e física do homem, uma indicação precisa de quem é o Deus verdadeiro, uma prova de nossa lealdade para com Deus, um diferencial de salvação e vida eterna – é uma aliança, para todo o sempre, de Deus para com seu povo – “aqueles que guardam os Seus mandamentos e tem o testemunho de Jesus”, conforme é assim específicado em Apocalipse 14:12.
ESTUDO
O sábado foi instituido desde o princípio, desde a criação.
Que fez Deus depois de haver criado do mundo? Gênesis 2:2 e 3 nos responde.
“E, havendo Deus terminado no dia sétimo a sua obra, que fizera, descansou neste dia de toda a sua obra que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a obra que, como Criador, fizera.”
O primeiro ponto que podemos destacar aqui é o fato de que a instituição do Sétimo Dia como dia de descanso se dá num mundo ainda sem pecado; ou seja, não foi depois do pecado que o sábado passou a existir, ele já era uma instituição divina tão logo o mundo, perfeito e sem pecado, foi formado.
O segundo ponto é que temos um ‘marco final’ para a criação do mundo. Um memorial da Criação, de encontro especial entre Criador e criaturas. Assim como nós gostamos do reconhecimento daquilo de “bom” que fazemos, Deus gosta de celebrar conosco - suas criaturas - os Seus feitos e ter de nós o reconhecimento. Deus se revela de forma especial a nós através de toda a sua criação, mesmo ainda hoje. Já diz a Bíblia que “os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras de Suas mãos” Salmos 19:1. Hoje em dia a maioria dos estudiosos das ciências até mesmo os mais céticos, concordam que, pelo menos, há um que eles chamam de “O Grande Designer” que concebeu e ainda mantén o universo.
Ainda dentro deste segundo aspecto, ao termos claramente aqui especificado um ‘marco final’ para a criação, não podemos nos equivocar em aceitar uma mistura de verdade com inverdades, ao misturar-se a teoria da evolução aceita após, então, este “processo” criador. Alguns de nós cristãos aceitamos assim teorias humanas que infelizmente não tem respaldo bíblico. Nem sempre a ciência conseguirá explicar a Bíblia, nem sempre teremos o ‘respaldo’ científico para o que é bíblico. E são pertinentes as citações bíblicas que, também, nos alertam para isto: o “Justo viverá pela fé” ou que “sem fé é impossível agradar a Deus” (Hebreus 11:6 e Galátas 3:20). Lembre-se de que a ciência, embora nos disponibilize o erudito, por assim dizer, ainda provém do que é finito; e não pode, muitas das vezes, explicar o que é Infinito. Cuidado! Até porque duas coisas tão antagônicas em seus princípios não se misturam, por mais filosófico que seja o argumento. Quando temos criação e um marco final para a mesma, não temos lugar e espaço para outras teorias. E mesmo, ainda em última análise não é a evolução da espécie que presenciamos dia após dias, mas sim, infelizmente, a involução, cada vez mais acentuada não só da raça humana como das espécies que habitam a terra. O cuidado aqui exclamado não é tanto pelas consequências acadêmicas ou filosóficas, mas sim pelas consequências emocionais e espirituais (eternas) em sua vida, já que nossas atitudes na vida são em decorrências daquilos que cremos – ou seja, agimos como cremos, diante da vida. Quando eu misturo as coisas, deixo de ver a Deus como criador, deixo de entender a malignidade e realidade do pecado e deixo de ter em importância a mim mesmo e o próximo e pior ainda, não posso aceitar um Deus redentor! Oras, se sou consequências do acaso ou se está em mim, unicamente, o evoluir, o que mais importa? Para que Deus? Para que o respeito ao semelhante? Para que me importar comigo, realmente, ou com o mundo que vivo? Perceba como isto vai muito mais profundo e mais longe do que por vezes podemos ver de imediato.
Um terceiro ponto é, que para celebrar a criação, Deus não apenas descansou neste dia, mas o abençoou e o santificou. Portanto, poderemos adorar a Deus todos os dias e assim devemos fazê-lo de várias formas na nossa vida, vivendo e praticando aquilo que agrada a Deus; mas o sábado sempre será especial como o dia exclusivo de adoração a Deus, instituido por Deus, onde eu tenho uma benção especial ali e onde eu reconheço o Criador e Recriador – na pessoa de Jesus – que nos redimiu do pecado, e tenho, então, a santificação deste dia; porque reconheço a santificação instituída pelo Criador, desde a fundação do mundo.
Podemos ter cultos em nossas congregações em vários dias, em todos os dias e horários se assim o desejarmos, podemos colocá-los em horários que possam ser mais adequados as atividades da semana e etc (para nos ‘abastacermos’ na fé durante a semana, para agradecermos, para aprendermos mais sobre a Bíblia, para ajudarmos outros irmão e mesmo para louvar a Deus durante a semana, enfim), e não há na Bíblia, orientação em lugar algum, para que assim não se faça; mas no Sétimo Dia, no sábado, é o único dia na Bíblia, falado por Deus, escrito por Ele, solicitado por Ele, para que realmente paremos todas as nossas atividades seculares e reconheçamos a Ele como nosso Criador e Mantenedor, ofertando a Ele, exclusivamente neste dia, nosso louvor e especial adoração. Não pode ser outro dia, não é o domingo, não é a terça-feira, não é qualquer outro dia, o dia de adoração exclusiva ao Senhor. Veja bem, o dia separado para pararmos e adorarmos a Deus, o dia santificado por Ele foi o sétimo dia.
O sétimo dia é especial, o sábado é especial, por que foi santificado, pelo próprio Deus para tanto. Não foi santificado pelo pastor, ou pelo bispo, ou pelo padre ou pelo profeta. Apenas o sábado foi santificado – ou seja, separado para um propósito especial – pelo próprio Deus para que prestassemos um culto especial, então, a Ele neste dia.
É... infelizmente o homem escolheu não obedecer a Deus e por isso pecou (Gênesis 3 em diante). Foi se esquecendo de Deus e da adoração ao Criador. Desta forma Deus teve que relembrar ao homem. E isto é tão importante para Deus, que Ele mesmo escreveu as tábuas da lei – os 10 Mandamentos – para entregá-las ao homem novamente. Ele mesmo falou um por um dos mandamentos, dando especial destaque a guarda do sábado, que é o centro da Lei de Deus, quando os entregou a Moisés e falou ao povo de Israel. Como podemos conferir em Êxodo 20:8 a 11 e depois em Êxodo 31: 13-17.
Mencionou Deus o sábado nos mandamentos?
Êxodo 20:1-17, especificamente sobre o sábado dos versos 8 ao 11.
“Então falou Deus todas estas palavras. ...Lembra-te do dia de sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor, teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro; porque, em seis dias, fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o Senhor abençoou o dia de sábado e o santificou.”
Quem foi o autor dos mandamentos, quem os escreveu? Êxodo 31:13-17.
“ ...certamente, guardareis os meus sábados; poi é sinal entre mim e vós nas vossas gerações; para que saibais que eu sou o Senhor, que vos santifica. ...seis dias trabalharás, porém o sétimo dia é o sábado do repouso solene, santo ao Senhor; ...pelo que os filhos de Israel guardarão o sábado, celebrando-o por aliança perpétua nas suas gerações. Entre mim e os filhos de Israel é sinal para sempre; porque, em seis dias, fez o Senhor os céus e a terra, e, ao sétimo dia, descansou, e tomou alento. E, tendo acabado de falar com ele no monte Sinais, deu a Moisés as duas tábuas da Lei, tábuas de pedra, escritas pelo dedo de Deus”
Um aspecto interessante a ser considerado aqui é o fato do mandamento sobre o sábado começar com a expressão “Lembra-te”. Todos os outros mandamentos são incisivos e diretos, começando sempre com um imperativo ‘não’.
Primeiramente na interpretação do contexto histórico, esta era uma lei que já era do conhecimento do povo. O sábado, como já vimos, já havio sido instituído desde os primórdios da história deste mundo e da humanidade. Se os outros mandamentos no seu formato e especificação eram novidades, este quanto ao Sétimo dia – o sábado – não o era. Como pode ser conferido em Exôdo 16: 23-30.
Um segundo pensamento é que este mandamento é o único com um ‘conteúdo’ para ser lembrado realmente: lembra-nos a criação, lembra-nos a adoração ao verdadeiro Criador, ao verdadeiro Deus; seria assim, então, um antídoto contra a idolatria contra as falsas ciências ou teorias, porque nem ciência de fato é a dita teoria da evolução.
Na verdade a guarda do sábado aos nos lembrar que não somos fruto do acaso e que temos um Pai poderoso, nos salvaguardaria de muita coisa, dentre elas o stress, a violência, a depressão e o suicídio, dentre outros.
Um terceiro aspecto que pode ser considerado é que o “lembra-te”, neste mandamento, tão diferente dos “nãos” dos outros, envolve, significa, requer, uma ação constante; não uma ação momentânea, imposta pelas circunstâncias onde necessitarei fazer uma escolha, muitas vezes imediata, com relação a minha atitude para com Deus ou para com o meu semelhante, como são os outros mandamentos. Neste mandamento Deus me convida, gentilmente, durante toda a semana a lembrar-me Dele como um provedor misericordioso e amoroso que merece ser adorado e louvado em Seu dia especial. Deus me convida a preparar-me nos outros dias, a não deixar tudo para a última hora, para que no sábado eu tenha condição de adorá-lo como Ele assim me convida a fazê-lo e como Ele assim merece. Deus me propicia ter uma vida mais organizada, mais produtiva e mais altruísta para que eu possa usufruir de um descanso ou de um refrigério mental, físico e espititual indo até Ele. É uma ação constante de real comunhão com Deus, onde não só eu cresço, onde não sou só eu o beneficiado e não é apenas o aspecto espiritual da minha vida que se aprimorará; mas o aspecto familiar, social (e trabalhista, por assim dizer) meu e dos que estão comigo, os que estão a minha volta serão beneficiados. É só conferir de novo no mandamento em Êxodo 20 “nem tu, nem teu filho... nem teu servo”, enfim atinge e benefícia a todos. Olha só que coisa, não? Chega ser revolucionário e perfeito! Se tão somente todos nós pudéssemos obedecer a Lei Divina, como ela é, o mundo seria realmente muitíssimo melhor, mesmo em nossos dias.
E ainda um quarto aspecto: este, o quarto mandamento é o centro do decálogo e funciona como o selo da lei de Deus. Ora, sabemos que até hoje, os mais importantes documentos são autenticados por um selo oficial. E um selo deve ter pelo menos estes três elementos: nome do dono do selo, seu título e sua jurisdição ou seu domínio. No documento de Deus ao homem, de seu tratado de ordem e amor (porque a lei de Deus é amor) para com a humanidade, repare que foi justamente no quarto mandamento – o que trata da guarda do sábado que Deus colocou a sua assinatura, o seu selo. E veja que interessante no texto do mandamento: “Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor, teu Deus; não farás nenhuma obra... / ...fez o Senhor os céus e a terra...”. Temos então no decálogo, o quarto mandamento trazendo explicitamente o “selo de Deus”.
A esta altura pode ser que você esteja racionalizando da seguinte forma ou se perguntando mesmo: mas quem é o povo de Deus? Isto era só para o povo de Israel... o que isto tem a ver comigo hoje? Sugiro que você leia o Anexo I.
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Oi, Cintia!
ResponderExcluirGostei muito da sua observação da palavra "lembra-te". Isso me esclareceu algo sobre o qual eu já refleti algumas vezes mas não havia encontrado resposta até então: embora eu considere o domingo como o dia do Senhor, os cristãos que guardam o dia do descanso e se dedicam a se lembrar da criação e da salvação são abençoados por pararem suas atividades rotineiras e refletir a respeito daquele que não para de pensar em cada um de nós um só instante :)